Em memória

Arli
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Arli Pereira do Prado

22 de julho de 1964 — 13 de junho de 2026

Itapuranga (GO) · Bambuí (MG)

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Arli nasceu em 22 de julho de 1964, em Itapuranga, Goiás, filha de João Bernardes do Prado e Dalva Barcelos do Prado. Cresceu em uma família numerosa e unida, sendo irmã de Rosanea, Marli, Sandra, Cleone, Silvana, Alessandro e Carla. Tornou-se mãe de três filhos: João Augusto, Luis Fernando e Julio Cesar.

Ao longo da vida, trilhou um caminho por diferentes cidades: Itapuranga (GO), Bambuí (MG), Guarulhos (SP), Itanhaém (SP), São Paulo (SP) e Taboão da Serra (SP) — antes de retornar a Bambuí, três anos antes de encerrar sua jornada terrena.

Sua trajetória profissional foi marcada pela dedicação, capacidade de adaptação e espírito empreendedor. Durante a infância e a adolescência, trabalhou na roça ao lado do pai e dos irmãos, contribuindo para o sustento da família. Ainda jovem, também atuou por um período em uma fábrica de bombinhas e, aos 16 anos, iniciou seu trabalho na APAE. Ao mudar-se para São Paulo na juventude em busca de novas oportunidades, ingressou no mercado de trabalho e atuou em empresas como Sheik, onde conheceu o futuro pai de seus filhos, Samuel. Trabalhou também na empresa La Violetera. Após o nascimento do terceiro filho, optou por dedicar-se integralmente à família, assumindo com amor e responsabilidade o papel de dona de casa. Voltou a trabalhar de forma autônoma, realizando cobranças para a empresa Cursos MED. Em 2001, deu mais um importante passo em sua trajetória ao cofundar a empresa de cobrança empresarial Truste Assessoria Empresarial. Após a dissolução do negócio, retornou ao mercado de trabalho em 2004, atuando como auxiliar administrativa na Barra Bonita. Reconhecida por sua excelente comunicação, dedicação e facilidade em lidar com as pessoas, mais tarde encontrou uma nova vocação como cuidadora de idosos. Exerceu essa função com profundo carinho, respeito e comprometimento, deixando sua marca na vida de muitas pessoas, entre elas Tetê.

Carregou com dignidade a dor mais pesada que uma mãe pode conhecer: a perda de seu filho, Luis Fernando (Fefe), assassinado aos 15 anos, em 2005. Perdeu também seu pai, igualmente de forma violenta, em 2013, e sua mãe, em 2019, cujas ausências moldaram sua força silenciosa e sua capacidade de seguir em frente. Além do peso do luto, ela encarou de frente uma separação, apenas um ano após a morte do filho. Arli foi uma grande guerreira, mostrando às pessoas ao seu redor como se adaptar e ser feliz mesmo diante das adversidades.

Arli era a pessoa mais alto-astral da família. Por onde chegava, iluminava e animava o ambiente com seu bom humor e suas piadas desbocadas, que arrancavam risadas de todos, e por vezes causavam um pequeno constrangimento nos despreparados. Era uma desbravadora, exemplo de quem aproveitava sua liberdade com a mente aberta, sendo uma pessoa à frente do seu tempo — mas sem qualquer rebeldia que prejudicasse os outros. Por esse motivo, criou seus filhos de maneira mais liberal e com muitos conselhos certeiros sobre a vida. Arli respondia sempre à altura, um espelho, se a pessoa fosse boa ela seria boa, mas se fosse sem educação ela colocava a pessoa em seu lugar. Foi também uma pessoa extremamente dedicada à sua casa, tendo por grande parte de sua vida uma jornada dupla. Arli foi sempre proativa, decidida, prática, resoluta e independente, resolvendo tudo a que se propunha e sempre correndo atrás do que queria.

Criada em uma família católica, Arli cresceu fundamentada nessa fé, tendo batizado seus três filhos, mas sem ser uma frequentadora da igreja. Após a perda do filho Luis Fernando, em 2005, ela encontrou no Espiritismo Kardecista um novo caminho de compreensão e consolo, passando a acreditar na reencarnação e na continuidade da alma. Recebeu cartas psicografadas de seu filho Luis Fernando, tendo um grande alento para seu coração. Segundo essa crença que abraçou, ela não se foi para sempre, apenas desencarnou, e após 21 anos de saudade, partiu ao encontro do filho que tanto amou, para que vivam juntos novamente. Lá também encontrará seu pai, sua mãe, seus avós e todas as pessoas queridas que compartilharam com ela a jornada na Terra.

Seu altruísmo era uma constante desde a adolescência, quando ainda morava na roça. Quando adolescente, trabalhou na APAE de Bambuí, dedicando-se ao cuidado de pessoas com necessidades especiais com a mesma ternura que reservava à própria família, o mesmo aconteceu nos seus últimos 15 anos de vida, cuidando com muito amor e carinho de idosos. Ao longo de sua vida doava roupas, alimentos, dinheiro, atenção e tempo aos mais necessitados e incentivava seus filhos à fazerem o mesmo. Foram muitas as vezes que Arli acolheu pessoas em sua casa e cuidou de quem adoecia e sempre tomava a frente quando alguém precisava de amparo, correndo para hospitais e exigindo o melhor para aqueles que estava ajudando.

Ensinou pelo exemplo o que é respeitar, cuidar e ser generoso. Apoiou os filhos e aqueles que amava a buscar a realização dos seus sonhos. Desde os anos 1990, morando de aluguel junto ao seu ex-marido Samuel, garantiu tudo o que seus filhos precisavam — até que conquistaram a primeira casa própria, motivo de grande orgulho para ela. Seu amor foi incondicional pelos seus filhos e familiares, ajudando-os por toda sua vida.

Era muito esperta e inteligente, sempre resolvendo palavras cruzadas e caças-palavras rapidamente e vencendo jogos como Stop (também conhecido como Adedonha). Por anos assistiu novelas, assim como sua mãe, mas dizia não ter paciência para filmes. O livro que mais marcou Arli foi Violetas na Janela, de Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho. Gostava de interagir para informar as pessoas nas redes sociais e para comprar coisas, era também ótima em pechinchar. Geria bem seu dinheiro, nunca fazendo dívidas desnecessárias. Foi também uma ótima motorista, mas não gostava de carros manuais. Adorava escutar sertanejo, em especial as músicas de Eduardo Costa. Na escola ela defendia suas irmãs, sempre comprando briga para protegê-las. Arli gostava de pregar peças nas pessoas e também gostava de dar presentes inusitados, como coisas com conotação sexual, só pela farra, para descontrair. Nas horas vagas gostava de visitar as irmãs ou ligar para elas e fofocar, mas também gostava de receber visitas.

Arli tinha o hábito mais que diário de tomar um café preto, pelando e bem açucarado, como uma boa paulista. Gostava muito de pão de queijo, pamonha e pequi, como uma boa goiana-mineira. Adorava também uma Coca-Cola bem gelada. Arli adorava uma vitamina de maracujá com leite, e não gostava de nada com manga. Cozinhava maravilhosamente, seu feijão mineiro bem cremoso fazia sucesso, além de diversas outras receitas. Sendo sempre bem criativa na cozinha, criou excelentes receitas para seu filho vegano, como o pão recheado com catupiry vegetal, hambúrgueres vegetais, lasanhas, nhoques e strogonoffs. Seu ponto fraco era fazer bolos, que apesar de deliciosos não ficavam na textura e fofura ideal, e ela sempre lamentava.

Durante a vida, Arli cultivou muitas amizades que o tempo e as circunstâncias foram afastando, mas que deixaram marcas. Alguns nomes memoráveis: Édinho, Kelly, Sandra, Vagna, Dudu, Fabiana, Chiquito e Jandira, entre tantos outros. Tinha também grande consideração pelos fiéis amigos de seu falecido filho: Rodrigo e Raphael. Arli também foi uma grande amiga de todos os seus irmãos e irmãs, sobrinhos, sobrinhas e agregados, e amou intensamente sua pequena filhinha canina Maggie. Ela foi uma mãe e irmã batalhadora, amorosa e exemplar.

Antes de partir, Arli realizou uma grande viagem à Europa ao lado do filho João, da nora Edivânia e da irmã Silvana. Percorreram Portugal (Lisboa), França (Paris), Itália (Veneza e Roma), Vaticano, Inglaterra (Londres) e Irlanda (Cork). Foi uma despedida à altura de quem viveu com tanto gosto. Ao retornar, confirmou a suspeita de câncer, que viria a causar sua partida. Nas últimas semanas, teve ao seu lado a família e os filhos que vieram do exterior para estar com ela nesse momento de luta.

Após uma vida como fumante, Arli partiu aos 61 anos, em 13 de junho de 2026, semanas depois de descobrir e enfrentar um câncer de pulmão em estágio avançado, mesmo tendo encerrado seu vício. Lutou bravamente e sem reclamar em nenhum momento, aceitando sua dura missão com serenidade. Ainda assim, encontrava forças para dar conforto a quem estava ao seu lado, com palavras de aceitação e amparo, sendo fiel a si mesma até o fim.

Árvore Genealógica - Família Prado

Pais
João Bernardes João Bernardes
Dalva Barcelos Dalva Barcelos
Irmãos
Rosanea Rosanea
Marli Marli
Arli Arli
Sandra Sandra
Cleone Cleone
Silvana Silvana
Alessandro Alessandro
Carla Carla
Filhos
João Augusto João Augusto
Luis Fernando Luis Fernando
Julio Cesar Julio Cesar
Maggie Maggie

Linha do tempo

Julho de 1964
Nascimento
Itapuranga, Goiás
≈ 1980
Trabalho na APAE de Bambuí - MG
Dedicação ao cuidado de pessoas com necessidades especiais
1988
Primeiro filho
Nascimento de João Augusto
1990
Segundo filho
Nascimento de Luis Fernando
1991
Terceiro filho
Nascimento de Julio Cesar
2001
Co-funda a Truste Assessoria Empresarial
Empreendedora, funda sua própria empresa
≈2002
Conquista a casa própria
Grande orgulho pessoal e familiar
≈2003
Tira a carteira de motorista
Ótima motorista — mas não gostava de carros manuais
2005
Perda do filho Luis Fernando
Dor que moldou sua força silenciosa e sua fé
≈2006
Torna-se espírita
Encontra no Espiritismo Kardecista consolo e compreensão
≈2011
Filho mais velho muda-se
João parte para construir sua vida independente
2013
Perda de seu pai
Uma ausência dolorosa e marcante que moldou sua força
≈2015
Torna-se cuidadora de idosos
Função exercida com profundo carinho e dedicação
2019
Perda de sua mãe
Mais uma grande partida enfrentada com resiliência silenciosa
2023
Muda-se para Bambuí (MG)
Retorno à cidade que amava
2025
Filho caçula muda-se para o exterior
Ela abraçou Julio e disse para ele seguir seus sonhos e ser feliz
2026
Primeira viagem internacional
Portugal, França, Itália, Vaticano, Inglaterra e Irlanda
Junho de 2026
Falece em Bambuí (MG)
Rodeada pela família, fiel a si mesma até o fim

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